
Se São Paulo se destaca no circuito internacional como polo das economias criativas no Brasil, grande parte dessa visibilidade se deve ao grafite, gênero das artes visuais que combina perfeitamente com a urbanidade paulistana. Boa parte das quase 100 mil ruas e avenidas da cidade foi transformada pelos grafiteiros em verdadeiras galerias de arte a céu aberto, que merecem compor um roteiro turístico para o segmento.
E a admiração pela arte de rua em São Paulo é tanta que o grafite de nossos artistas brilha mundo afora, inclusive na vanguardista Europa, a exemplo dos trabalhos da dupla Os Gêmeos (Gustavo e Otávio Pandolfo) e de Francisco Rodrigues, mais conhecido como Nunca. Os três participaram da mostra “Street Art”, que em agosto de 2008 ocupou fachada do Tate Modern, um dos principais museus londrinos. Esses mesmos grafiteiros têm parte de seu trabalho estampado no bairro do Cambuci, parada obrigatória no roteiro do grafite em São Paulo, onde Os Gêmeos cresceram e Nunca viveu.
Dezenas de outros grafiteiros contribuem para projetar São Paulo nesse circuito num movimento que deve se fortalecer cada vez mais, já que a capital oferece cursos profissionalizantes em grafite e intervenções urbanas. Vale a pena percorrer a cidade e conhecer os artistas pelos diferentes estilos de traços e desenhos que colorem o dia a dia da metrópole.

Um dos points de grafite mais conhecidos em São Paulo, o túnel da Paulista que leva à Avenida Rebouças é coberto por painéis coletivos, num mosaico que nos coloca o desafio de identificar as diferentes formas de expressão com o uso do spray. Nesse espaço são promovidas até mesmo edições especiais, com desenhos temáticos. No ano passado, por exemplo, a comemoração dos 100 anos da imigração japonesa pautou os grafiteiros em suas criações no local.
O visual oriental é permanente em outra rota da arte urbana na cidade: o bairro da Liberdade. Lá, têm espaço grafiteiros que desenvolvem traços finos em figuras mais delicadas, que se assemelham aos mangás japoneses. Os desenhos no bairro da colônia oriental em São Paulo não poderiam ser mais apropriados, numa demonstração de que o grafite paulistano reflete elementos da cultura local. Inclua no percurso a rua Galvão Bueno e a rua da Glória.

Em meio à boemia de Pinheiros e Vila Madalena, muros e lojas ganham o colorido do grafite. São muitos os pontos ocupados e, descendo pela rua Cardeal Arcoverde, há travessas em que o grafite está gravado nos viadutos, escadarias e muros escondidos. É também por ali que está o Beco do Batman, nas ruas Gonçalo Afonso e Medeiros Albuquerque. Um dos pontos de grafite mais famosos de São Paulo, o beco é totalmente coberto por trabalhos de artistas nacionais e estrangeiros.
No bairro do Cambuci, berço de talentos da arte urbana em São Paulo, as ruas tornaram-se inspiração para esse gênero de ocupação artística. Os ex-residentes Os Gêmeos deixaram por lá sua marca com a emblemática pintura do gigante amarelo, e outros artistas que se destacam na nova geração do grafite assinam obras, principalmente pinturas murais. Principais ruas do circuito: Lavapés e Justo Azambuja.
Em janeiro de 2009, pela ocasião do aniversário da cidade, um grupo de 7 grafiteiros liderados por Kobra, reproduziram na Avenida 23 de Maio uma cena paulistana da década de 20. O painel tem quase 1.000 m² e impressionante perfeição e riqueza de detalhes em técnicas de grafite. Esse estilo compõe uma série de trabalhos que estampam pela cidade a memória da São Paulo do início do século passado.
Pertinho dali, nas colunas que sustentam a nada bela “passarela elevada” conhecida por Minhocão, encostam-se moradores de rua e pedestres que aguardam a vez de atravessar a rua. Será que eles percebem como estão sendo envolvidos e vigiados pelos desenhos e cores interessantes dos grafites gravados ali? Quem tem faro artístico percebe sim!
Na cinzenta canalização do rio Tietê, uma forma curiosa de grafite: lá, o grafiteiro Zezão estampa seus “flops”, os desenhos azulados que ora lembram canos, ora lembram ondas, ora lembram flores e outras formas de vida. Inusitado, não?
O roteiro do grafite em São Paulo não para por aí. Há intervenções em diversas ruas na região da Consolação – no centro da cidade, em viadutos como o Júlio de Mesquita Filho, na estação de trem da Lapa, no bairro da Mooca e outros pontos. Algumas agências de turismo na capital - como a Graffit Viagens e Turismo, a Receptivo Brasil e a Go In São Paulo - já reconheceram o potencial desse atrativo para os visitantes e desenvolveram produtos voltados ao tema. Seja um farejador da arte de rua: descubra o grafite em São Paulo!

















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