
A Nova São Paulo
por DAN SHAW

matéria publicada na edição online do The New York Times em 12/3/2006
clique aqui para ler a matéria original em inglês
Você não pode entrar na Daslu a pé; você tem que chegar de carro (ou helicóptero) e passar por um posto de revista de segurança. A loja se parece com um resort hotel cinco estrelas e tem a atmosfera de um clube de campo exclusivo onde todo mundo está comprando, em vez de estar jogando golfe ou tênis. Dentro da loja, há 10 cafés e locais para se beber champanhe, e butiques que vendem tudo de camisas Frette e bolsas Prada a temporadas de esqui em Aspen e Harley-Davidsons. As vendedoras da Daslu proporcionam um insight sobre a divisão de classes no Brasil. Mulheres sensuais e animadas com belos cortes de cabelo fazem as vendas, enquanto um batalhão de donas de casa resignadas em uniformes de empregadas silenciosamente arruma as prateleiras atrás.
Que os paulistas sabem como gastar generosamente também fica evidente no D.O.M., um restaurante comandado pelo chef-celebridade Alex Atala, considerado o Jean-Georges Vongerichten do país pela sua reinterpretação dos ingredientes brasileiros — feijão preto, bacalhau, farofa — com um toque francês. O salão é silencioso e tem um ar corporativo, mas atrai uma clientela diversificada: Pop stars brasileiros como Clara Moreno e sua entourage, casais ostentando por uma ocasião especial e famílias abastadas em atitude tão blasé com relação ao seu refinado jantar que falam ao celular enquanto comem.
Eles deveriam prestar mais atenção, porque a comida é maravilhosa. Meu amigo e eu experimentamos o menu degustação composto por quatro pratos, por 160 reais por pessoa: camarão ao molho de manga com papaia; brandade de bacalhau em uma redução de feijões pretos; um peixe chamado filhote com uma crosta de tapioca e ervas; confit de pato com pimentas verdes. O incomum prato à base de queijo foi servido por um garçom que rodopiou uma mistura de purê de batata e Gruyère com duas colheres no ar como se fosse um puxa-puxa, antes de dividi-la em cada prato.
Depois de uma refeição tão refinada, a idéia de uma boate barulhenta estava fora de cogitação, então acabei dando uma esticada em um outro dos hotéis-butique, o Fasano, onde o suntuoso décor masculino sugere que ele atrai mais administradores de hedge-fund do que modelos, e cujo bar - Baretto – é uma releitura contemporânea de um salão de coquetéis dos anos 1930.
No meu último dia, voltei aos Jardins e suas lojas de classe mundial, curioso em conhecer o interior da Galeria Melissa. Projetada por Karim Rashid de Nova York, os sapatos de salto alto feitos de borracha com a grife da loja — por designers como Alexandre Herchcovitch (cuja moda para estrelas do rock é vendida em sua butique logo virando a esquina) e os irmãos Campana — são dispostos em bolhas de plástico penduradas no teto, criando um alucinante efeito "2001: Uma Odisséia no Espaço".
Durante uma típica chuva torrencial de verão, me abriguei na Cavalera, uma das muitas lojas que vendem jeans brasileiros colados à pele e camisetas de algodão macias como seda. Os vendedores falavam pouco inglês, mas se pareciam todos com modelos e estavam loucos para agradar, apresentando pilhas e pilhas de jeans, alguns adornados com grafites em português.
Depois de uma hora ainda estava chovendo forte, então corri para o outro lado da rua, no Z Deli, um lugar idiossincrático na Alameda Lorena, outra rua de lojas da moda. Lá, o almoço self-service inclui peito, pierogi, cole slaw e, o improvável, gefilte fish. Administrado por duas mulheres judias, Zenaide Raw, que já morou em Nova York e fala inglês bem, e sua irmã Rosa, o Z Deli me fez sentir em casa. Quando Zenaide soube que eu era dos Estados Unidos, ela me trouxe uma fatia do esplendido bolo de semente de papoula e sentou-se à mesa. Quando eu lhe disse que ficaria por apenas três dias, ela me repreendeu: "Como você pode ver tudo em tão pouco tempo? Da próxima vez, você tem que me visitar primeiro e eu te direi o que deve fazer." Garanti a ela que faria isso.
SE VOCÊ FOR
COMO CHEGAR LÁ
Diversas linhas aéreas oferecem vôos diretos de Nova York. Se você pegar o vôo 951 da American Airlines, que parte de Nova York às 22:20h, chegará em São Paulo às 9:40h. O vôo de volta sai de São Paulo às 22:35h e chega no Kennedy às 6:06h. Meu bilhete de classe econômica em janeiro custou $928, incluindo as taxas.
COMO SE DESLOCAR
Os táxis são incontáveis, mas não espere que o motorista fale inglês. A corrida do aeroporto ao meu hotel saiu por 75 reais ($34, a 2,2 reais por dólar). Um amigo negociou com um taxista para que ficasse conosco o dia todo por um preço fechado de 150 reais.
ONDE FICAR
A cidade dispõe agora de três hotéis-butique igualmente luxuosos. Todos cotam as suas diárias em dólares norte-americanos. O código do país e da cidade é 55-11.
- Emiliano, Rua Oscar Freire, 384; telefone 3069-4369; www.emiliano.com.br. Os quartos começam em $299 o pernoite.
- Fasano, Rua Vittorio Fasano, 88; 3896-4000; www.fasano.com.br. Diárias nos finais de semana a partir de $260; $295 durante a semana.
- Unique, Avenida Brigadeiro Luis Antonio, 4700; 3055-4700; www.hotelunique.com.br. Os quartos começam a partir de $285.
ONDE COMER
- Bar Balcão, Rua Dr. Melo Alves, 150; 3063-6091.
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Canto Madalena, Rua Medeiros de Albuquerque, 471; 3813-6814. Localizado no bairro da Vila Madalena, este bar ao ar livre é famoso pelo pratos tipicamente brasileiros como carne seca, melhor se acompanhado por um chope gelado. Refeições, todas servem duas pessoas, por cerca de 45 reais.
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D.O.M., Rua Barão de Capanema, 549; 3088-0761. Jantar para dois com vinho e bebidas, sai por cerca de 600 reais.
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Figueira Rubaiyat, Haddock Lobo, 1738, 3063-3888. Almoço para dois, sem vinho, cerca de 250 reais.
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Prêt Café, Rua Bela Cintra, 2375; 3085-8544. Almoço self-service para dois, sem vinho, cerca de 80 reais.
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Pitanga, Rua Original, 162; 3816-2914. Almoço para dois, sem vinho, aprox. 100 reais. Feijoada, o tradicional almoço de sábado feito de feijão preto e carnes, faz parte de um bufê servido em um ambiente caseiro.
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Spot, Al. Ministro Rocha Azevedo, 72; 3283-0946. Jantar para dois com bebidas, por cerca de 200 reais.
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Z Deli, Alameda Lorena, 1689; 3088-5644. Almoço self-service, sem sobremesa ou vinho, aprox. 74 reais.
ONDE COMPRAR
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Alexandre Herchcovitch, Rua Haddock Lobo, 1151; 3063-2888, ramal 111.
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Cavalera, Alameda Lorena, 1682; 3083-5187.
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Clube Chocolate, Rua Oscar Freire, 913; 3084-1500.
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Daslu, Avenida Chedid Jafet, 131; 3841-4000.
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Feira da Liberdade, Praça da Liberdade. Domingos, das 10h às 19h. Artesanato local vendido em barracas, em um bairro predominantemente japonês.
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Galeria Melissa, Rua Oscar Freire, 827; 3084-3612.
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Huis Clos, Rua Oscar Freire, 1105; 3088-7370. Vestidos com corte extremamente refinado e blusas da Jil Sander do Brasil.
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Page Calçados, Rua Comendador Alfonso Kherlakian, 102, 3326-6060.
O QUE VER
- Edifício Copan, Avenida Ipiranga, 200.
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Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, Avenida Morumbi, 4077; 3742-0077; www.fundacaooscaramericano.org.br. Uma casa-museu de 1950 cercada por um exuberante jardim tropical com 25.000 árvores.
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Galeria Fortes Vilaça, Rua Fradique Coutinho, 1500; 3032-7066. Galeria que exibe arte contemporânea feita por brasileiros e americanos.
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Millan Antonio, Rua Fradique Coutinho, 1360; 3031-6007; www.millanantonio.com.br. Galeria dedicada a artistas brasileiros consagrados e promissores.
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Museu de Arte de São Paulo, Avenida Paulista, 1578; 3251-5644; www.masp.art.br.
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Catedral Metropolitana da Praça da Sé; 3107-6832.
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Mercado Municipal, Rua Cantareira, 306; s228-0339. Um mercado público de gêneros alimentícios que se parece com um bazar das Nações Unidas.
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Pinacoteca do Estado, Praça da Luz, 2; 3229-9844.
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Sala São Paulo, Praça Júlio Prestes; 3337-5414; www.salasaopaulo.com.
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Dan Shaw escreve frequentemente sobre design.
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